GEORGE WHITEFIELD: PAIXÃO PELO EVANGELISMO

Introdução

Se existisse uma prateleira onde estão colocados os nomes de servos de Deus que heroicamente deixaram o seu testemunho na terra por amor a Cristo, viveram visando somente a glória de Deus, certamente, o nome de Whitefield seria encontrado dentre os nomes dos gigantes.

Nesse pequeno texto, convido-o a ler um pouco sobre a história deste servo de Deus, que mesmo tendo vivido muito tempo atrás, sua história continua sendo inspiradora e, claro, com muitas lições para servos dos tempos atuais.

Nascimento e conversão

Nascido em 16 de Dezembro de 1714, em Gloucester, Inglaterra, filho cassula, o sexto de Thomas e Elizabeth Whitefield, proprietários da hospedaria Bell Inn. Seu pai faleceu quando George tinha apenas dois anos de idade, ele foi criado por sua mãe que se casou novamente quando ele tinha oito anos.

Sua paixão era a representação no teatro. Whitefield era um orador e ator nato, entretinha os hóspedes da hospedeira com sua habilidade de representar. Nisso desenvolveu a capacidade de orador e elocução que que mais tarde seriam usados em seu futuro ministério.

Aos dezoito anos, Whitefield entrou em Pembroke College, da Universidade de Oxford. Para subsidiar o custo de seus estudos, trabalhava como servidor, atendendo às necessidades dos estudantes mais ricos, limpando seus quartos, lavando suas roupas e preparando suas refeições.

Whitefield lutava por uma aceitação de Deus, orava três vezes ao dia e jejuava, mas não encontrava paz para sua alma. Na primavera de 1735, Whitefield recebeu um livro do seu amigo Charles Wesley. O livro era sobre novo nascimento, cujo título era: A Vida de Deus na Alma Humana, escrito por Henry Scougal. Nele, aprendeu que a salvação não era por suas próprias obras, mas somente pela regeneração divina. Contristado, em agonia e convicção reconheceu que precisava nascer de novo. Então, aos vinte anos de idade foi regenerado pelo Espírito Santo e depositou sua fé em Cristo.

Comissionado a pregar

Depois de formar-se pela universidade de Oxford em 1736, retornou a Gloucester, onde foi ordenado diácono da Igreja da Inglaterra, na Catedral de Gloucester, em 20 de junho de 1736. Uma semana mais tarde apresentou o seu primeiro sermão na Igreja Saint Mary of the Crypt, Gloucester, igreja onde tinha sido batizado. Whitefield sentiu o chamado soberano de Deus a pregar, passou a preencher púlpitos em Londres. Seus dons homiléticos, de oratória e elocução foram imediatamente reconhecidos, Whitefield se tornou um fenômeno da pregação, as igrejas ficavam cheias de pessoas para ouvirem o jovem pregador.

Enquanto pregava em Londres, chegou para Whitefield uma carta dos irmaos Wesley, da Geórgia, pedindo a Whitefield a ajudá-los em sua obra missionária. Disse ele: “ao ler isto, meu coração saltou em mim, como se exultasse ao chamado”. Essa viagem foi adiada, pois seu navio fora detido. Enquanto isso, o jovem pregador aceitava convites para pregar em Gloucester, Bristol, Bath e Londres.

Em 28 de dezembro de 1737, finalmente, o Whittaker (navio) estava pronto para navegar, e Whitefiel, pode finalmente ir para a colônia americana. Em 07 de maio de 1738 chegou a Savannah, Geórgia, onde descobriu que John Wesley deixara a colônia sob acusação formal por um supremo tribunal. Whitefield, regressou a Inglaterra em 28 de agosto.

Na Inglaterra, tanto Whitefield quanto os irmãos Wesley, enfatizavam em suas pregações a necessidade do novo nascimento. Insistiam em dizer que muitos ministros da Igreja da Inglaterra não eram convertidos, isso gerou grandes problemas. Essa afirmação levou muitos líderes a resistirem ao seu trabalho. Panfletos maldosos foram circulados em oposição e rumores espalhados, manchando o nome de Whitefield. Portas das igrejas foram fechadas contra ele, forçando-o à uma ousada estratégia. Ele evitaria completamente os edifícios de igrejas e pregaria ao ar livre.

“Em 17 de fevereiro de 1739, Whitefield pregou pela primeira vez ao ar livre em Kingswood, um campo nos arredores de Bristol. Ficou em pé sobre um pequeno outeiro no campo, pregando para um ajuntamento relativamente pequeno de mineiros de carvão e suas famílias, cerca de duzentas pessoas. Whitefield declarou a graça salvadora de Jesus Cristo, e os que assistiram ficaram comovidos pelo poder do evangelho…”.1

Depois deste, Whitefield não parou mais e passou a pregar ao ar livre, pregava em todo lugar que pudesse reunir pessoas. “Estima-se que Whitefield tenha alcançado cerca de 650.000 pessoas por mês durante o ano de 1739, que é igual a cerca de vinte e duas mil pessoas por dia (…)”.2

Numa época em que as viagens marinhas eram difíceis, Whitefield visitou a América sete vezes, sendo uns dos grandes personagens do Grande Despertamento, mas seu trabalho no velho continente (Europa) também era bem sucedido, pregando em várias cidades da Inglaterra e nos países vizinhos, Gales, Irlanda e Escócia. Em certa ocasião, na Escócia, pregou a 100.000 ouvintes, e 10.000 responderam. Por todo lugar que fosse para pregar, multidões corriam para ouvi-lo, desde eruditos à leigos, o comércio parava, lavradores deixavam os arados e até juízes adiavam suas audiências.

Em 1749, renunciou a sua liderança na Sociedade Metodista Calvinista, para se dedicar mais ao evangelismo. Whitefield continuou a pregar extensivamente nas colônias americanas e nas ilhas britânicas. Crê-se que pregou mais de 18.000 sermões. “Whitefield pregou seu último sermão em Exeter, New Hampshire, em 29 de setembro de 1770. Foi uma exposição de duas horas, que examinava a alma, intitulada “Examine a si mesmo”, de 2 Coríntios 13.5. Ao dar um passo para pregar, Whitefield fez uma oração silenciosa: “Se eu ainda não tiver acabado meu curso, permita que eu vá e fale por ti mais uma vez nos campos, sele a tua verdade, volte para casa e morra”.3

Whitefield morreu na América, no dia 30 de setembro de 1770, da forma que desejara: no meio de uma série de pregações. John Wesley pregou no culto memorial de Whitefield em Londres, e o homenageou como um grande homem de Deus.

Teologia

Whitefield cria na soberania de Deus na salvação do homem, era firme defensor das Doutrinas da Graça ou os Cinco Pontos do Calvinismo, como são mais conhecidos. Sua crença nas doutrinas da graça o impulsionou a pregar o evangelho a todos, ele sabia que todo ser humano por natureza era merecedor da ira de Deus, mas Deus graciosamente, através de seu Filho, chama e salva pecadores para si, para ser seu povo escolhido.

Características da pregação

Nas suas pregações Whitefield:

  • Expunha o pecado: ele falava aos seus ouvintes da depravação total, das devastadoras consequências do pecado e da necessidade de salvação.
  • Apontava a cruz: apresentava a morte de Cristo, e seu sangue expiatório como único meio para a salvação.
  • Necessidade de regeneração: é necessário nascer de novo todo aquele que deseja a salvação.
  • Apontava para a eternidade: “Pregava como se o juízo final, céu e inferno estivessem assomando o horizonte imediato”.
  • Tinha grande zelo: pregava com grande paixão, zelo e fervor.
  • Era humilde: reconhecia que até mesmo como pregador era indigno, salvo pela graça.

Suas pregações não eram vazias, seu sucesso devia-se a sua vida piedosa, a profunda comunhão com Deus, era dedicado no estudo das escrituras, na oração, lutava por santidade, desde sua conversão era focado em conhecer mais a Cristo.

Conclusão

Movido por seu amor a Deus e a Cristo, e por grande compaixão pelos pecadores perdidos, Whitefield, mesmo encontrado dificuldades, resistências e oposições, sentia a grande vontade de pregar o evangelho as pessoas, no navio em alto mar ou ancorado no porto, nos mercados abarrotados de gente, nos campos ou onde quer que encontrasse pessoas pregava o evangelho.

A semelhança de vários servos de Deus que deixaram seus legados na história da igreja e da sociedade, George Whitefield é aquele imitador de Cristo que em vida buscou servir ao seu Senhor e fez com grande zelo, fervor, humildade e paixão.

Oremos a Deus por mais trabalhadores na seara, por mais homens como George Whitefield, dedicados na obra do SENHOR.

Por: Alber Pacavira

  1. LAWSON, Steven J. O Zelo Evangelístico de George Whitefield. SP: Fiel, 2014, p. 28. ↩︎
  2. LAWSON, Steven J. O Zelo Evangelístico de George Whitefield, p. 29) ↩︎
  3. Ibidem, p. 40 ↩︎